O Autor por ele mesmo

Rubens Mazzini

Sou médico psiquiatra, de Porto Alegre, católico, de descendência italiana, de um ramo colateral de Giuseppe Mazzini, o unificador da Itália. Desde criança sou afeito à leitura e à literatura por influência de meus pais, que também eram ávidos leitores e incentivaram o hábito da leitura nos filhos desde a mais tenra idade. O gosto pela escrita surgiu desde os tempos de estudo no Colégio Anchieta, onde recebi também educação religiosa, em que me destacava como um dos poucos alunos que gostava de Redação, passando a participar ativamente do Clube de Leitura do colégio onde aprendi a apreciar os clássicos. Em busca de aprender mais sobre a arte e técnica da escrita, cursei a Faculdade de Jornalismo da PUCRS, que não concluí ao ver que não seria lá que aprenderia a escrever.

Por gostar de escrever me dedicava eventualmente a escrever contos como um hobby, o que me levou a frequentar a Oficina Literária do escritor Luiz Antônio de Assis Brasil, um dos grandes escritores brasileiros de romances históricos, que me disse que eu tinha inclinações para o texto longo. Após, publiquei alguns contos em coletâneas (alguns também estão disponíveis no Substack) e fui premiado na Jornada Literária Josué Guimarães com o conto Castigo Inesperado. Sempre tive o desejo de me aventurar na área do romance, mas a atividade como médico não me deixava tempo livre suficiente para isso. Agora, após mais de 40 anos de exercício da Psiquiatria, diminuindo o ritmo e já me aproximando da aposentadoria, tem me sobrado algum tempo disponível que me permitiu lançar-me nesta empreitada de escrever um romance sobre a vida de Júlio II.

Muitos devem se perguntar por que um psiquiatra escreveria sobre um Papa do século XVI no mundo de hoje?

Os acontecimentos políticos da época em que vivemos têm me mostrado que os arquétipos do poder não mudam. A tirania e a corrupção são ervas daninhas que crescem em qualquer século. Giuliano della Rovere não viveu em um livro de história empoeirado; ele viveu em um permanente “estado de exceção”. A Itália do século XV era um tabuleiro de xadrez para potências estrangeiras, onde a Igreja estava moralmente falida e ameaçada; era a encarnação perfeita do “Estado capturado” por interesses privados dos Príncipes e Barões da época. Diante desse caos, Giuliano não escolheu a prudência ou a diplomacia morna. Ele escolheu a Terribilità. Essa palavra italiana, intraduzível em sua plenitude, define sua capacidade de inspirar temor e reverência através de uma vontade avassaladora. Júlio II não herdou a grandeza; ele a forçou a existir. Ele olhou para uma basílica de mil anos e decidiu demoli-la. Ele olhou para um escultor teimoso chamado Michelangelo e obrigou-o a pintar. Ele olhou para os exércitos da França e decidiu expulsá-los usando uma armadura prateada sob a batina. Mesmo quando cardeal, ele ousou amar uma mulher como um homem comum. Enfim, um personagem incrível que tem sido negligenciado e retratado de forma distorcida, o que me instigou a tentar fazer-lhe justiça contando a sua verdadeira história, enfatizando a sua figura humana, que sempre ficou relegada a um segundo plano atrás da imagem de Papa Guerreiro ou do Papa Terrível, como também tem sido chamado.

A experiência de escrever o livro tem sido uma atividade muito gratificante e prazerosa. Espero que os leitores que eventualmente venham a ler o livro também sintam a mesma satisfação ao ler que eu estou tendo ao escrever.

Por Trás da Saga

A História Recontada: Mármore e Ferro da Pesquisa

Meu compromisso é com a complexidade humana, sem anacronismos, sem distorção dos fatos. Os acontecimentos romanceados se baseiam em relatos históricos fidedignos, como os da pesquisadora Christine Shaw, cujo livro tem me seguido de roteiro. Os personagens e histórias ficcionais introduzidos por mim são criados como forma de preencher as lacunas que foram deixadas pela história, mas jamais irão oferecer visões distorcidas e falsas da história, como infelizmente se vê em outras obras de ficção, especialmente nas séries criadas para o cinema e para televisão mais recentemente, de forma distinta de filmografias antigas, como é o caso do filme Agonia e Êxtase, da década de 60, que mostra a relação entre Júlio II e Michelangelo de acordo com os fatos reais.

O Homem e o Mito

Giuliano della Rovere: A história como ela realmente aconteceu.

Entrar na vida de Júlio II é aceitar que o mundo não é moldado por aqueles que pedem permissão, mas por aqueles que têm a coragem de segurar o cinzel e golpear a pedra bruta da realidade até que ela tome a forma de sua vontade.

Bem-vindo a Roma do século XV. Bem-vindo à mente de um Gigante!

Imersão Histórica

Para trazer à vida a história romantizada de Giuliano della Rovere até se tornar o Papa Júlio II e toda a sua jornada até sua morte em 1513, tive de mergulhar em vários livros e artigos históricos com a finalidade de buscar a história real, com o objetivo de corrigir muitas das distorções que foram feitas ao longo do tempo com a utilização de fontes não confiáveis.

Bibliografia Consultada:

Julius II - The Warrior Pope, de Christine Shaw. A principal fonte de referência sobre Júlio II

Michelangelo and The Pope´s Ceiling, de Ross King. A história e como Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina.

The Light of Italy: The Life and Times of Federico da Montefeltro, Duke of Urbino, de jane Stevenson. Sobre a vida de Federico de Montefeltro, Duque de Urbino e aliado de Giuliano della Rovere.

Patronage and Dynasty: The Rise of the della Rovere in Renaissance Italy, Ian F. Vergesten. Oferece um estudo aprofundado da relação entre mecenas e artista.

The Pope's Daughter: The Extraordinary Life of Felice della Rovere, de Caroline P. Murphy, A história de Felice, a filha de Júlio II.

Michelangelo: Selected Readings, de William Wallace. Sobre a vida de Michelangelo.
Civilization of the Renaissance in Italy, Jacob Burckhardt. História da Renascença na Itália.

A História do Papado, de Rowane Hailey. A história dos papas que moldaram o mundo cristão.

Habemus Papam, de Symbio Books. A história secreta dos conclaves.

Alexandre VI: Bórgia, o papa sinistro, de Volker Reinhardt. A polêmica história de Rodrigo Bórgia, o Papa Alexandre VI.

La Storia d'Italia, de Gianfrancesco Guicciardini. Relato da vida na Itáli de 1494 a 1534.

History of the Popes, vol. VI, Ludwig von Pastor. O grande clássico católico; visão providencialista.

Behind Locked Doors: A History of the Papal Conclaves, de Frederic Baumgartner. Contexto dos conclaves de 1503.

Mercenaries and Their Masters,de Michael Mallett. O mundo militar italiano que Júlio II comandou.

The Italian Wars 1494–1559, de Michael Mallett & Christine Shaw. Sobre as guerras da Itália, com Júlio no centro da fase 1503–151

Popes, Cardinals and War: The Military Church in Renaissance Italy, de David S. Chambers. Direto ao tema do "papa guerreiro"

Renaissance Diplomacy (1955), Garrett Mattingly. Clássico sobre a diplomacia do período, incluindo as ligas de Júlio II

Michelangelo's Tomb for Julius II: Genesis and Genius, de Claudia Echinger-Maurach. O estudo moderno definitivo da "tragédia do túmulo".

Renaissance Humanism in Papal Rome, de John F. D'Amico. A cúria e o humanismo da Roma juliana.

Sixtus IV and Men of Letters (1978), Egmont Lee. Contexto da família della Rovere e da Roma do tio de Júlio II.

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